Assassin's Creed 2 - Análise
Quando se pensa no mês de Outubro,
Uncharted 2: Among Thieves vem à ideia. Quando se pensa no mês de Novembro, é
Call of Duty: Modern Warfare 2 que faz as honras. Agora, ainda no rescaldo destes dois títulos, chega-nos
Assassin's Creed 2,
um jogo que, embora fazendo parte deste trio de gigantes, parece ter
sido relegado para segundo plano. Mas talvez este pensamento não esteja
totalmente correcto. É que jogar
Assassin's Creed 2 é mais do que puro entretenimento, é ter o privilégio de brincar com uma obra de arte interactiva.
Há tanta coisa para dizer sobre
Assassin's Creed 2, que se torna difícil escolher um aspecto para começar. Mas pensem desta forma: se gostaram de
Assassin's Creed, vão venerar este segundo jogo. O mais admirável, nesta sequela, é que a
Ubisoftutilizou a fórmula vencedora que fez do primeiro jogo um sucesso, mas
tirou-lhe o que não fazia falta e adicionou-lhe, simultaneamente, novos
elementos que em tudo elevam a qualidade do segundo.
Um dos problemas com que
Assassin's Creedse deparou foi com o facto de ser, de certa forma, repetitivo. O
sistema de jogo consistia quase sempre no mesmo: reunir informações
sobre o alvo a abater, assassinar quem nos era pedido, realizar missões
secundárias, subir a sítios altos para explorar o mapa, e tentar
perceber o que raio se passava na história.
Agora, em
Assassin's Creed 2,
as coisas mudam radicalmente. As missões não são repetitivas e
conseguem variar bastante entre si, dando uma dinâmica muito maior ao
jogo. Para além disso, não esperem encontrar o conflito entre os
Crusados e os
Sarracenos, e não contem dar de caras com
Templários espalhados pela
Terra Santa ou com bandeirinhas nos sítios mais improváveis que se possa pensar.
Assassin's Creed 2 conta a história de
Ezio, um jovem da nobre família
Auditore da Firenze, que se vê cada vez mais envolvido no meio de uma enorme conspiração. Se
Altair matava para cumprir as ordens de
Al Mualim,
Eziomata por razões pessoais, algo que transmite um cunho bastante mais
intimista ao jogo. Por outro lado, o facto da acção decorrer em
Itália, em cidades como
Florença ou
Veneza, ajudou a abrir portas à criatividade e a adicionar uma beleza deslumbrante a
Assassin's Creed 2.
Tudo ajuda a passar um encanto especial ao jogo: a arquitectura
renascentista, o sotaque e as frases em italiano proferidas pelas
personagens, ou as próprias cores vivas e variadas do ambiente.
Embora não se aproxime de
Uncharted 2: Among Thieves, a capacidade gráfica de
Assassin's Creed 2está fenomenal. As personagens, os edifícios, as armas, os fatos e as
armaduras, a àgua, as árvores ou a relva estão todos muito bem
detalhados. Pelo seu lado, os movimentos, as animações ou as expressões
faciais das personagens também não ficam atrás.
Por causa de tudo isto, é muito fácil adorar ou detestar as pessoas com quem
Ezio se cruza, algo que nem sempre acontecia em
Assassin's Creed. As pessoas que
Altairtinha de assassinar pouco ou nada nos diziam, eram apenas mais um alvo
a abater. Era-nos explicada a razão pela qual deveriam morrer (razão
mais que suficiente para levarem uma facadinha nos rins, diga-se), mas
nunca sentíamos algo pessoal. Éramos uma espécie de
Agente 47 da Idade Média.
Mas isso muda em
Assassin's Creed 2.
É que não nos dizem, apenas, que o nosso pai morreu e temos de o
vingar, metem-nos em contacto com ele: mostram-nos o dia-a-dia familiar
dos
Auditore da Firenze e depois, num desenrolar de
eventos que não conseguimos evitar, arruinam-nos a vida, numa típica
história de traição. Ainda por cima, a juntar a isto, os nossos alvos
são arrogantes e estão convencidos que podem perfeitamente fazer o que
lhes apetece e dá na gana. Há maior motivação para os trespassar a
todos com a nossa espada?
Claro que quem diz espada, diz punhal ou
hidden blade, ou alguma das outras armas que podemos escolher em
Assassin's Creed 2. A imagem de marca de
Assassin's Creed, a
hidden blade, mantém-se, mas agora melhorada. Já era sabido que
Ezio iria ter duas
hidden blades,
mas ainda não sabíamos o quão bem iriam funcionar. Agora sabemos... e
funcionam muito, muito bem. Os movimentos do primeiro jogo continuam,
com a diferença que agora temos mais opções para as nossas amigas de
punho.
Ezio vai poder usar as duas
hidden bladesem simultâneo, não só para esfaquear, sorrateiramente, os inimigos,
como também para o combate directo, como se de espadas se tratassem.
Ainda
relacionado com isto, outro aspecto que merece a nossa atenção são as
novas formas de assassinato. O nosso menino bonito pode agora
assassinar a partir do ar, da àgua, dos esconderijos (e.g. carroças de
palha) ou mesmo pendurado no parapeito de um edifício. Se estivermos
num telhado, podemos seleccionar os inimigos na rua e saltar-lhes,
literalmente, para cima; já se estivermos na água, nos esconderijos ou
nos parapeitos, basta esperar que eles passem ao pé de
Ezio e puxá-los para a morte. Tudo isto funciona de uma forma exímia. Tal como em
Assassin's Creed, existem duas formas de assassinato com a
hidden blade: a discreta (
low-profile) e a "olhem-para-mim-que-sou-um-assassino" (
high-profile).
O
combate, que era uma das jóias da coroa do primeiro jogo, foi
melhorado. Podemos atacar e defender, mas o destaque vai, claramente,
para os contra-ataques e para o
disarm. Os contra-ataques
continuam tão bons ou melhores que antes, com diferentes movimentos
para cada arma. Mas mais engraçado que contra-atacar uma investida do
nosso oponente, é desarmá-lo e usar a arma que lhe roubámos, contra ele
e contra os amigos todos.
Para além das espadas, dos martelos, dos punhais, das
hidden blades e das facas que podemos atirar, existem, em
Assassin's Creed 2, novos "brinquedos", cada um melhor do que o anterior: as granadas de fumo, a
poisoned blade e a
hidden gun.
Se as granadas dão bastante jeito para desaparecer sem deixar rasto ou
para ganhar superioridade numa batalha contra vários inimigos, já a
poisoned blade é um
mustpara criar uma distracção. Através de uma pequena picada, que ninguém à
nossa volta percebe, injectamos o nosso alvo com veneno. Isto começa
por deixá-lo tonto, e irá acabar numa morte agoniante que chama a
atenção de toda a gente que se encontre nas imediações. Em relação à
hidden gun... bom, digamos apenas que
Ezio também tem a sua veia de atirador furtivo. É uma adição ao jogo que funciona muito bem, e que traz novas possibilidades a
Assassin's Creed 2. É quase como se a
Ubisoft nos estivesse a dizer: "nós não precisávamos de meter isto no jogo, mas fizémo-lo porque podemos."
Uma das peças centrais de
Assassin's Creed 2 é o sistema monetário. É através dele que poderemos reabastecer-nos de
thrown knivesou dos frasquinhos de medicina (sim, agora podemos trazer os nossos
próprios "ben-u-rons" connosco), que poderemos comprar novas armas ou
armaduras, ou que poderemos comprar outras cores para o nosso fato.
Pois é, se não gostarmos do tradicional fato branco poderemos mudá-lo
para outra cor à nossa escolha. Existe uma palete variada e cada cidade
terá cores específicas. Já no que toca às armaduras, não será preciso
dizer que uma armadura melhor será mais resistente em combate.
Existem
várias formas para ganhar dinheiro. Por um lado, podemos completar as
missões principais e secundárias, que é o que nos mete o "pão em cima
da mesa" no início; por outro, podemos roubar as moedas às pessoas que
passam (o chamado
pickpocket), ou revistar as nossas vítimas
ensanguentadas. E só por graça, poderemos ainda encontrar baús
espalhados pelo mapa, os quais também ajudam a nossa carteira.
E isto não se fica por aqui. Conhecem aquele pensamento que defende que o dinheiro atrai mais dinheiro? Em
Assassin's Creed 2isso também se aplica. É que as nossas poupanças não vão servir apenas
para gastar em armas ou em roupas da moda, vão também servir para
investir na nossa própria fortaleza, em
Monteriggioni.
Aqui vamos ter todas as lojas que encontramos nas outras cidades, com a
diferença que podemos restaurá-las e melhorá-las. Ao fazer isto, não só
vamos ter descontos nas coisas que lá compramos, como as próprias lojas
nos irão pagar uma espécie de "renda". Quanto mais evoluída estiver a
nossa fortaleza, em termos de reparações e restaurações das lojas, mais
dinheiro entrará nos nossos cofres.
Aspectos
negativos? Bem, se há aspectos negativos não se notam muito. A câmara
pode oferecer alguns problemas, por vezes, especialmente quando
realizamos contra-ataques muito perto de objectos que possam obstruir a
visão (e.g. árvores, paredes ou muros altos, etc.). A inteligência
artificial dos aliados que podemos contratar (ladrões ou mercenários,
por exemplo) também poderia estar melhor, visto que acontece meterem-se
à nossa frente quando estamos a tentar desancar uma resma de guardas.
No entanto, estes pontos (ou outros, que poderão encontrar) pouco ou
nada afectam o desempenho do jogador, e muito menos do jogo em si.
Muito mais haveria para dizer sobre
Assassin's Creed 2. O
jogo não fica por aqui, nem tão pouco mais ou menos. Poderíamos falar
do sistema de penas, uma espécie do sistema de bandeiras de
Assassin's Creedmas agora com um fim específico; poderíamos falar dos tipos de guardas
que existem, que requerem um estilo de combate diferente; poderíamos
falar da história e das personagens; poderíamos falar do sistema de
alerta (
notoriety), que faz com que os guardas sejam mais ou
menos agressivos quando nos vêem; poderíamos falar das catacumbas que
há para explorar, onde
Ezio vai encontrar recompensas bastante apelativas; poderíamos falar de como
Desmond Miles e a
Abstergo vão estar mais presentes em
Assassin's Creed 2;
poderíamos falar do (excelente) novo sistema de puzzles e
quebra-cabeças que irá contribuir para percebermos melhor a história;
poderíamos falar do novo sistema de viagens, que nos permite andar de
uma cidade para a outra sem perder muito tempo; poderíamos falar de
muitas mais coisas, mas isso fica à descoberta de cada um.
Só há
mais um aspecto que não poderia deixar de ser referido nesta análise: o
som e a música. Os efeitos sonoros continuam brilhantes. O som das
lutas com espadas, as interacções entre as personagens, e todos os
restantes efeitos estão bastante agradáveis ao ouvido. O trabalho de
voz está igualmente excelente, muito bem adaptado a cada
character. Para além disso, o facto de ouvirmos falar italiano frequentemente, confere um toque de charme a
Assassin's Creed 2. E como não poderia deixar de ser, a isto junta-se uma banda sonora genial.
Jesper Kyd, o compositor de
Hitman ou do recente
Borderlands, que já tinha composto a música do primeiro
Assassin's Creed, fez mais um grandioso trabalho em
Assassin's Creed 2. A música assenta que nem uma luva nas situações em que nos encontramos, e está ao nível de um
blockbuster de
Hollywood.
Em jeito de conclusão,
Assassin's Creed 2 consegue juntar cenas de amor, traição e humor (há um segmento genial quando conhecemos o tio de
Ezio),
bons gráficos, uma boa história, um gameplay excelente, uma banda
sonora épica, personagens carismáticas, um sistema de mercado
equilibrado, e uma conspiração ao nível d'
O Código Da Vinci (e por falar em
Da Vinci...). Tudo isto é servido com base numa das ideias mais originais dos últimos tempos, iniciada em
Assassin's Creed. Em suma,
Assassin's Creed 2 vem reivindicar o título, seu por direito, de um dos melhores jogos desta quadra natalícia e, provavelmente, dos últimos anos.
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Assassin's Creed 2
96/100
Fonte : MyGames.pt